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Foi para matar a
saudade do Sul que o gaúcho Celso Luiz Frizon e o
paranaense Silvio José de Godói, moradores de São
Paulo, decidiram inaugurar em 1992 o Rancho do
Vinho, no km 293 da Rodovia Régis Bittencourt
(BR-116). A princípio era apenas um pequeno empório,
que vendia alguns alimentos, bebidas e utensílios
produzidos na região, em um total de cerca de 50
itens.
Mas o lugar foi crescendo na mesma proporção do
prestígio de alguns vinhos fabricados no Rio Grande
do Sul, corno o Miolo, marca que a casa ajudou a
difundir.
Hoje, o Rancho do Vinho é um conjunto de adega, loja
e restaurante, que virou ponto de referência no
município de Itapecerica da Serra. Entre a produção
de colônias gaúchas e catarinenses e artigos
importados são em torno de 3 rnil itens - salames,
lingüiças, antepastos, queijos, vinhos, cachaças e
objetos típicos, com preços para todos os bolsos.
No restaurante, que tem couvert gratuito, o
carro-chefe é a carne, geralmente assada na brasa. A
costela vem na tábua, acompanhada de salada, arroz,
feijão, polenta, batata e mandioca frita. Se a fome
não for muito grande, dá para três pessoas e custa
R4 25,00. Pratos mais sofisticados, como marreco
recheado ou o italiano porchetta romana (leitoa
desossada recheada com lombo, presunto cru e
condimentos) saem apenas sob encomenda.
Mas orgulho da casa, como o nome já diz, são os
vinhos. Celso Frizon, que se intitula "defensor
vinicultura nacional", conta que, quando morava no
Sul, um de seus passeios prediletos era visitar
pequenas vinícolas, hábito que mantém até hoje, em
suas viagens para o Estado. Foi dessa forma que
entrou em contato com a família Miolo, fabricante do
vinho nacional que se tornou referência no
exterior."Encomendei algumas garrafas e comecei a
vendê-las na loja. A marca ainda era desconhecida e
os clientes só levavam porque confiavam na minha
recomendação", lembra. "Fiquei muito feliz quando a
marca obteve o prestígio que merecia e acho que
contribuí um pouco para isso."
Frizon comenta que pouco tempo atrás o Brasil nem se
quer era reconhecido como produtor de vinhos, apesar
da região Sul sempre ter sido apontada como ideal
para o cultivo de uvas. "Só se falava em vinhos
chilenos, italianos e franceses.
Era muito raro um conhecedor de vinhos pedir algum
rótulo nacional. Hoje, felizmente, essa situação
mudou. "Segundo Frizon, os vinhos nacionais
conquistaram a Denominação de Origem, antes restrita
a produtos europeus. Trata-se de um selo que indica
a excelência de qualidade, uma prova de que todas as
etapas de produção seguiram rigorosos padrões
internacionais.
Dica - A mais nova aposta de Rancho do Vinho
é a vinícola Dom Candido, da cidade de Bento
Gonçalves. De acordo com Frizon, em pouco tempo a
marca deverá ganhar notoriedade. 'É um trabalho
sério, pequena produção e grande qualidade, como
manda o manual das boas bebidas", afirma. Além dos
tintos, a Casa Dom Candido também está empenhada na
confecção de um modelo mais suave, similar ao Asti
europeu. Será uma espécie de vinho frisante,
derivado da uva moscatel, já batizada de Espumante
Mascatel." Já provei e achei muito saboroso",
elogia.
Frizon pretende organizar um evento especial para
difundir o vinho entre os paulistas. Seria uma noite
de degustação, com com direito a cardápio especial.
"Ainda estou pensando no prato ideal para acompanhar
o vinho. O mais provável é que seja alguma
especialidade italiana, pode ser uma carne recheada
ou então urna massa .

Bate-volta saboroso na BR-116 |
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Régis Bittencourt reserva ótimos
estabelecimentos no trecho compreendido entre Itapecerica e Taboão |
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A poucos quilômetros dali, precisamente no km 293,5, numa casinha
charmosa, protegida por uma cerca baixa e amarela, fica o Rancho do
Vinho. Qual a especialidade? Costela. E esta vem acompanhada por delícias
como galeto, matambre recheado, costelinha de porco, lingüiça,
arroz-de-carreteiro e a saborosa polenta esporca, com
molho de calabresa. 'Tem dia em que a gente senta só para comer
a polenta', conta Celso Luiz Frizon, de 42 anos, o proprietário.
Foi ali que, há 13 anos, ele montou um pequeno empório
aos moldes sulistas, onde se vendem frios, doces, compotas, produtos
artesanais e acompanhamentos para petiscar com vinho, além de
panelas e tachos.
Na frente dessa tenda ele assava costela nos fins de semana. 'Decidi
montar o restaurante há cinco anos', diz Frizon.
Inspirado nas tradições gaúchas, ele serve sopa
de capelete como entrada no inverno. Depois, vem a costela na tábua
- à vontade -, com 14 variedades de acompanhamentos.
Outra especialidade da casa é a porcheta romana - feita sob encomenda
e para quem der sorte em alguns raros fins de semana.
Trata-se de uma leitoa inteira, desossada, recheada com frios e tempero,
que, atenção!, é assada por 17 horas. 'Para ficar
pronta na sexta, começamos a assá-la na terça',
conta ele.
A casa não tem carta de vinho. E isso é bacana porque,
quem quiser, pode dar alguns passos, escolher o vinho nas prateleiras
do empório e pagar o preço da loja. 'Acho um absurdo pagar
mais que o dobro do valor de uma garrafa nos restaurantes
de São Paulo. Aqui não funciona assim', diz Frizon. E
há opções para todos os bolsos.
No fim de semana, ele recebe muitos clientes paulistanos que gostam
de pegar a estrada, além de sitiantes e gente
que vai para o litoral. O restaurante fecha às segundas. Durante
a semana, paga-se R$ 21,80, e, aos sábados, domingos e feriados,
R$ 24,80 - preços por pessoa.
Terça e quarta-feira, abre das 8 às 18 horas; quinta a
sábado, até as 23 horas, e, aos domingos e feriados, até
as 18 horas. O único problema é saber que se tem de pegar
a estrada de volta. E de barriga cheia. ? C.V. |
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