Cinco táticas a serem consideradas para a transformação digital nos bancos

Quase todas as indústrias, da agricultura à ciência espacial, estão sendo afetadas e melhoradas por conta da adoção de tecnologias digitais

Habilitados por uma plataforma de tokenização tecnicamente interoperável, os serviços Samsung Pay, Microsoft Wallet, Android Pay e Apple Pay estão expandindo sua participação global no mercado de pagamento via dispositivo móvel. Uma vez que América Latina e Caribe participarão dessa expansão, inevitavelmente, os emissores da região aceleram o desenvolvimento de pagamentos móveis, inclusive o de suas próprias carteiras.

Os serviços “Pay” e as carteiras digitais dos emissores estão melhorando a experiência do consumidor e mudando a forma como as pessoas usam seus dispositivos para pagar sem a presença de um cartão de plástico. Os heróis anônimos dessas transações são: a plataforma de tokenização e a aceitação de pagamentos sem contato. A tokenização garante a portabilidade das credenciais de pagamento para o celular – credenciais essas que estão limitadas a cada dispositivo e a situações de pagamento específicas. As verdadeiras credenciais do consumidor nunca estão presentes no elemento seguro do telefone ou nos dados armazenados na nuvem.

Os padrões de pagamento sem contato (NFC) permitem que os estabelecimentos comerciais aceitem essas transações de forma segura. Não será possível ganhar escala na área de pagamento móvel sem a tokenização ou sem a tecnologia NFC.

Esse avanço permitirá à indústria de pagamento atingir uma escala que os padrões de segurança anteriores não permitiriam, e possibilita o fornecimento de credenciais de pagamento em praticamente qualquer dispositivo: carros, eletrodomésticos, equipamentos de escritório, entre outros.

Mas isso é só o começo. Os emissores de cartão terão de evoluir e modificar suas práticas rapidamente, adaptando-se a um ecossistema puramente digital. Atualize-se: Descubra com a TOTVS como aplicar a transformação digital no seu negócio Patrocinado 

A seguir, cinco táticas que os emissores poderiam considerar:

1) Reinventar a emissão digital. O modelo de aquisição e aprovação de crédito está se tornando obsoleto. Os emissores terão de repensar o processo de solicitação e migrar completamente suas capacidades para o ambiente móvel. Alguns emissores da região já estão testando a emissão instantânea em suas próprias carteiras móveis. Mesmo o mais eficiente processo de solicitação de crédito on-line e de emissão instantânea nas agências das instituições financeiras terá de migrar para o ambiente móvel e integrar fluxos de originação de crédito. E, dada a rápida substituição do navegador móvel pelos apps, os novos processos de solicitação terão de operar como um aplicativo ou em plataformas emergentes – como chatbots –, combinando funcionalidades de avaliação de risco, APIs (sigla em inglês para Interfaces de Programação de Aplicativo) de agências de crédito e decisões de crédito internas instantâneas.

2) Integrar programas de recompensa, fidelidade e incentivo. No momento, os serviços “Pay” e muitas carteiras próprias dos emissores operam de forma independente no que diz respeito ao relacionamento com o cliente. Os emissores terão de integrar todo o processo de interação com o consumidor em suas ferramentas de pagamento. Ofertas, benefícios especiais em hotéis, milhas aéreas, pontos de recompensa, acesso privilegiado… Tudo isso deverá ser integrado de forma invisível nas carteiras móveis, sejam elas próprias ou de terceiros. Caso isso não aconteça, em longo prazo, a adoção será afetada e a experiência do consumidor continuará fragmentada.

3) Melhorar a experiência da transação. O ato de pagar está relacionado a vários eventos que facilitam uma experiência sem fricção. Os emissores terão de modernizar e modificar seus métodos de prevenção de risco, visto que eles são definidos hoje para um ambiente de processamento em que existe a presença de um cartão de plástico. A Visa trabalha com emissores em várias APIs para minimizar o risco e aumentar as probabilidades de aprovação. Os emissorespodem desenvolver experiências melhores usando soluções como Mobile Location Confirmation (que confirma a localização do portador usando o celular), Transactions Alerts (alertas de transação), Travel Notifications (que envia informações de viagem), Consumer Transaction Controls (controles transacionais definidos pelo consumidor) e outras plataformas de prevenção de risco criadas para operar de forma integrada com serviços de pagamento e carteiras móveis.

4) Redefinir a venda cruzada. Historicamente, as plataformas de pagamento sempre foram um dos produtos mais tecnologicamente avançados disponibilizados ao consumidor pelos emissores. Hipotecas, empréstimos, contas-correntes e outros produtos bancários dependem de infraestruturas (back-end) que, embora robustas, são limitadas em termos de frequência de interação com o consumidor. Essa lacuna na experiência do cliente aumentará se os processos de back-end que dão suporte a outros produtos não estiverem em sintonia com a experiência front-end oferecida pelos pagamentos móveis. Os emissores precisam encontrar formas de fazer a venda cruzada de seus produtos, o que exigirá a adoção de tecnologias semelhantes para proporcionar uma experiência digital similar em todos os produtos. Os empréstimos ao consumidor, por exemplo, podem ser integrados em meios de pagamento e experiências digitais, facilitando a venda cruzada.

5) Definir as ações do Emissor para a IoT. Nos próximos anos, haverá ampla adoção de tecnologia digital, por meio da qual uma quantidade imensa de dispositivos poderá interagir com instituições emissoras para realizar pagamentos. O mercado está sendo rapidamente inundado por empresas cujo negócio central não é o bancário ou pagamento. Sem parcerias bancárias sólidas, essas empresas serão forçadas a criar indústrias paralelas. Com a tokenização, os emissores podem participar desse ecossistema, mas precisarão fazer investimentos certeiros em talento e tecnologia para ganhar terreno no segmento de transações automatizadas da IoT.

O fato é que quase todas as indústrias, da agricultura à ciência espacial, estão sendo afetadas e melhoradas por conta da adoção de tecnologias digitais. A indústria de pagamentos não é exceção. Trata-se de uma grande transformação nos pagamentos na América Latina e no Caribe. Precisamos construir, coletivamente, as bases para esse novo ecossistema onde a tokenização, as APIs e a tecnologia de pagamento sem contato (NFC) serão fundamentais para atingirmos mais consumidores. Esta é uma grande oportunidade para a indústria de pagamentos, uma vez que a penetração dos pagamentos eletrônicos nos Gastos de Consumo Privado da região ainda é uma das mais baixas do mundo.

Rubén Salazar Genovez – Vice-Presidente Sênior de Produtos e Soluções

fonte: http://www.administradores.com.br/noticias/negocios/cinco-taticas-a-serem-consideradas-para-a-transformacao-digital-nos-bancos/120566/