Como arrecadar US$ 1 milhão antes de lançar o produto e sem ficar devendo ao banco

Em “A Arte de Pedir”, Amanda Palmer explica como criou uma das bases de fãs mais leais e generosas da indústria, apenas pedindo ajuda

Reprodução/TED Talk

“Arte de pedir” é uma espécie de versão estendida da palestra que fez no TED Talks em 2013

Para muitos músicos e artistas, conseguir um contrato com uma grande gravadora é o maior dos sonhos. Gravadoras implicam em recursos financeiros, humanos e tecnológicos para produzir discos e alavancar carreiras. Para a cantora punk Amanda Palmer, entretanto, um contrato com a Rodrunner Records, uma subsidiária do grupo Warner, significou frustração. O selo não compreendia seu público, seu marketing, sua forma se comunicar com os fãs. Depois da empresa considerar um fracasso as vendas de um álbum que Palmer considerou um sucesso, a americana resolveu largar a gravadora e lançar um disco independente.

Para conseguir os recursos necessários, Palmer recorreu à plataforma de financiamento coletivo Kickstarter. Ela pediu 100 mil dólares aos seus fãs. Em um mês, conseguiu 1,2 milhão. Com 25 mil apoiadores, o projeto para a gravação do disco “Theatre is Evil” se tornou o mais bem sucedido da história do site na área de música. A imprensa americana ficou confusa: como uma artista que nunca nem saiu na Rolling Stone conseguiu um milhão de dólares?

Em “A Arte de Pedir”, Amanda Palmer explica como criou uma das bases de fãs mais leais e generosas da indústria, apenas pedindo ajuda. O livro é uma espécie de versão estendida da palestra que fez no TED Talks em 2013 e mescla memórias da autora – de sua infância ao seu casamento com o escritor Neil Gaiman – com lições sobre como se conectar com o público, como construir uma carreira em indústrias criativas e, claro, como pedir.

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Segundo Palmer, pedir é uma das coisas que temos mais dificuldades para fazer em relacionamentos porque, de alguma forma, criou-se a noção equivocada que reconhecer que precisamos de ajuda é sinônimo de reconhecer que fracassamos. Em seu livro, a artista explica como os anos em que trabalhou como estátua viva em uma praça de Boston e que fez couchsurfing em lares de fãs do mundo inteiro a ensinaram a pedir e aceitar ajuda. A arte de pedir, Palmer explica, está diretamente ligada à arte de confiar. Não é um pedido de verdade se não houver a chance de receber um não, assim como não é confiança se não houver o risco de algo dar errado.

Quando seu projeto de Kickstarter chegou aos seis dígitos, Palmer conta que jornalistas do New York Times e da revista Forbes ligaram para pedir que ela explicasse sua relação com os fãs. Ela então pediu que eles explicassem suas relações com as esposas. Por mais que comparar relacionamento com fãs com um casamento pareça exagero, foi a relação de confiança absoluta que estabeleceu com seu público – seja recebendo trocados na rua ou dormindo em seus sofás – que fez o projeto de Palmer um sucesso.

Relatando casos de artistas empreendedores com bons projetos que tentaram o financiamento coletivo e acabaram conseguindo apenas poucos dólares, a mensagem que Palmer traz em seu livro é clara: não há ideias importantes ou recompensas atrativas o bastante que façam um projeto dar certo se você não tiver uma relação de casamento com o público. O crowdfunding não se trata de pedir ajuda a desconhecidos, e sim de confiar na bondade do seu crowd.

fonte: http://www.administradores.com.br/noticias/negocios/como-arrecadar-us-1-milhao-antes-de-lancar-o-produto-e-sem-ficar-devendo-ao-banco/122547/