Empreender ou passar no concurso público?

Fomos ensinados por anos que a carreira profissional de sucesso é aquela que nos dá segurança, independente do que de fato iremos fazer

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Interessante como nós não conseguimos pensar de forma empreendedora. Vivemos em um país voltado para o funcionalismo público. Nunca entendi como poderíamos ter cargos públicos com salários 3 a 4 vezes mais custosos que os setores privados.

É muito comum jovens extremamente talentosos direcionando todos os seus esforços para passarem em concursos públicos, com provas de elevado nível de exigência. Os resultados são profissionais altamente qualificados e preparados para servir à sociedade, porém em uma estrutura sem condições de atendimento.

Essa estrutura envolve questões de infra, sistemas, culturas e talvez o mais perigoso a falta de propósito, trabalhando somente o atendimento de interesse de cada profissional que toma posse.

Agora uma pergunta? Quem você acha que vai tirar o país da crise? É o funcionalismo público ou o empreendedorismo?

Ninguém quer empreender. Por que? Além de todas as dificuldades da burocracia para se conseguir abrir uma empresa e a carga tributária, nós não temos duas coisas fundamentais: formação empreendedora e incentivo.

Outra característica interessante é que o empreendedorismo vai na direção contrária de tudo o que os pais desejam e ensinam para os seus filhos. Eles querem ver seus filhos em cargos públicos para não se preocuparem mais com emprego e renda, mas esquecem que esta estabilidade pode ser um caminho de muita frustração pela falta de propósito e a certeza de que tudo é estático e não muda. A melhor coisa que pode acontecer na vida de uma pessoa é a incerteza. Ela nos leva para o caminho das possibilidades infinitas e consequentemente da criação e inovação.

Imagina como jovens brilhantes poderiam contribuir mais nas incertezas, pois seriam forçados a explorar o máximo que este ambiente proporciona. Os novos empreendedores estão agindo assim, se conectando a propósitos para mudar o mundo, solucionar um problema, reinventar um negócio. Eles querem ser grandes, não querem somente ter empregos, querem ser blogueiros, desenvolvedores de aplicativos e donos de startups, ou seja, querem fazer a diferença no mundo com todas as incertezas.

Imagina se as escolas trabalhassem em suas formações básicas a necessidade de empreender. Jogos de empreendedorismo para crianças. Testes voltados para capacidade de criar um produto capaz de solucionar um problema da sociedade e consequentemente atendimento a um propósito comum.

Fomos ensinados por anos que a carreira profissional de sucesso é aquela que nos dá segurança, independente do que de fato iremos fazer. A estabilidade nos gera o conforto e a uma paralisação. Mais importante do que ter um emprego é estar conectado com o propósito que ele atende na sociedade.

Quem gira a economia e gera renda são os empreendedores. São eles que irão ter a capacidade de desenvolver novos negócios. Agora imagina aquelas mentes brilhantes que passaram nos concursos públicos e estão no conforto e paralisação. Estamos tendo um desperdício intelectual, esses profissionais precisam contribuir mais para a sociedade.

Reinventar os modelos de educação voltado para ajudar os jovens a se conectarem com propósitos e transformar em riqueza comum, pode ser a salvação de um país com grandes necessidades de emprego e renda hoje e quem dirá no futuro.

Ricardo Seperuelo é autor do livro A Arte de Engajar Pessoas e diretor da Escola de Alto Desempenho da Seperuelo Consultoria 

fonte: http://www.administradores.com.br/noticias/carreira/empreender-ou-passar-no-concurso-publico/119257/